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Esta é uma distinção oficial que outorga o Ministério de Produção da Nação dentro do “Plano Nacional de Design”

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O CATÁLOGO LATINO-AMERICANO, PREMIADO

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CONCURSO PAVILHÕES TEMÁTICOS

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A HABITAÇÃO COLETIVA GANHOU

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MÁXIMA ACREDITAÇÃO CONEAU PARA O MESTRADO DA UNL

A Faculdade de Arquitetura Design e Urbanismo (FADU) da Universidade Nacional do Litoral (UNL) foi reconhecida com a máxima acreditação da Comissão Nacional de Avaliação e Acreditação Universi...

CRESCENDO EM ALTURA

A Universidade Torcuato Di Tella inaugurou recentemente a expansão de seu Edifício Alcorta localizado no Bairro de Belgrano

ZUVIRÍA PARA NOVA IORQUE

Facundo de Zuviría, o conhecido fotógrafo argentino, acaba de realizar uma exposição de seu trabalho na cidade de Nova Iorque
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ENE 15

EJITAAAALIANO…*

Sei que não é “politicamente correto”, mas desde que tive em minhas mãos o livro compilado por Stefania Tuzi e Mario Sabugo, não posso tirar da minha mente a lembrança daquele brilhante sketch que Eddie Pequenino e Alberto Olmedo realizavam nos idos dos anos 80, no qual o primeiro representava um “empreiteiro” italiano que, acompanhado por um “laboratore” cordobês – encarnado por Olmedo –, dedicava-se semana após semana aos mais variados ofícios. 

O sketch focava-se nos preconceitos, pois o “italiano” Pequenino mostra-se como um falastrão prepotente cuja verborragia vazia deve ser “traduzida” pelo “cordobês” Olmedo, que logo esclarecia com o típico sotaque de “la docta” que a inexplicável linguagem do “empreiteiro” deve-se a que este “ejitaaaaliano” (é italiano). Paralelamente, o operário, ainda que lacônico e eficiente, termina sendo menosprezado por seu chefe, que o define como “el cabecita que complicano tutto”. Independentemente das críticas mútuas, ambos os personagens careceriam de graça sem o outro e em todo momento mostram-nos a profunda imbricação entre italianos e argentinos que caracteriza nossa sociedade. É que o humor trabalha sobre os estereótipos e, portanto, um “correto” esquecimento das rispidezes deste caso também deveria se aplicar às piadas de galegos, ao Manolito de Quino, ao humor “russo” de Marcos Zucker ou, para os mais memoriosos, ao do “turco” Alí Salem de Baraja. Porém, com esse esquecimento estaríamos esquecendo-nos também de nós mesmos, pois todos eles, Pequenino incluído, eram argentinos que, como o texto que hoje comentamos, falavam-nos de nossa própria idiossincrasia multicultural.

O livro compilado por Tuzi e Sabugo tem, pois, a rara virtude de recordar-nos algo que na realidade já sabemos, mas que como todas as coisas que por sua transcendência temos internalizadas, faz-nos quase sempre invisível, como a água que rodeia o peixe sem que a veja. E é que a partir de Blanqui e Tamburini a Tedeschi ou Testa, passando por Meano, Colombo e Palanti, não é possível compreender nossa arquitetura sem seu componente italiano. Gosto da palavra “componente”, e me interessa destacá-la, pois acredito que deveria ser usada na crítica arquitetônica substituindo mais de uma vez a “influência”, e o caso que nos ocupa é um exemplo paradigmático. A “influência” é a ação de um agente externo, enquanto que um “componente” é parte integral e íntima de algo. Certamente, assim como um pudim não está “influenciado” pelos ovos ou pelo leite, nossa cultura e, consequentemente, nossa arquitetura não estão influenciadas senão integradas pelo italiano.

Desfilam pelo livro uma vintena de artigos de autores provenientes dos Apeninos e dos Andes, como definiu D’Amicis, que versam sobre arquitetos e arquiteturas tão diversos como os já mencionados e cuja obra se estende desde o período colonial até o presente, sobre tipologias como o cortiço e sobre o patrimônio arquitetônico ítalo-argentino. Pelo amplo e completo converter-se-á, sem dúvida, em referência obrigatória para aqueles que desejem se informar ou aprofundar em uma temática tão ampla como presente em nosso meio. Por outro lado, o livro, editado em Roma em 2013, é o reflexo da cooperação entre a FADU/UBA através do Instituto de Arte Americano, que é dirigido por Sabugo, e da Faculdade de Arquitetura da Universidade da Sapienza, através de seu Departamento de História, Design e Restauração de Arquitetura, dirigido por Francesco Fiore, e conta com todos os textos completos em espanhol e italiano mais os respectivos abstracts em inglês, com os quais se converte em um atrativo produto editorial capaz de ser difundido nos mais diversos âmbitos. Para concluir, quero recordar que, como foi dito mil e uma vezes, os argentinos “somos italianos que falamos espanhol” e este livro lembra-nos, como diz o título do artigo de Tuzi, que “a arquitetura argentina fala italiano”.

Nota do tradutor: * Ejitaliaaano: transcrição literal de “é italiano” conforme se é falado com sotaque da Província de Córdoba, Argentina.

POR FERNANDO MARTÍNEZ NESPRAL

Fernando Martínez Nespral é Dr. Arq. pela Faculdade de Arquitetura, Design e Urbanismo da Universidade de Buenos Aires. É membro do Instituto de Arte Americano e Pesquisas Estéticas Mario J. Buschiazzo.

CONTRIBUTI ITALIANI ALL'ARCHITETTURA ARGENTINA
PROGETTI E OPERE TRA IL XIX EL IL XX SECOLO
APORTES ITALIANOS A LA ARQUITECTURA ARGENTINA
PROYECTOS Y OBRAS EN LOS SIGLOS XIX Y XX
Stefania Tuzi e Mario Sabugo (compiladores) 
Editorial: Tipografia del Genio Civile
Roma, 2013
20,50 cm x 20,50 cm, 198 páginas
(em espanhol e italiano)

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